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R E C O S T U R A N D O   A   L I N H A   P E R D I D A

Primeiro lugar concurso promovido pela AEAPF em Passo Fundo

LOCALIZAÇÃO: BAIRRO VALINHOS – PASSO FUNDO - RS

ÁREA DO PROJETO: 496.994 m²

FOTOGRAFIA: STUDIO ZENITAL ARQUITETOS

CONCURSO: Concurso de ideias Arquitetura, espaço e democracia - Habitação de interesse social - o caso da ocupação Beira Trilhos em Passo Fundo.

PREMIAÇÃO: CONCURSO DE IDEIAS DE ARQUITETURA 1º LUGAR

ORGANIZAÇÃO: Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Passo Fundo AEAPF


 



 

CONCEITO

    Desde o momento em que esta área de intervenção tornou-se irregular, onde a cidade se desligou, rompendo uma parte do tecido urbano de Passo Fundo, de uma forma ideológica e social. A comunidade Beira-trilhos se formou e se consolidou na antiga via ferroviária com sua tipologia arquitetônica sem diretrizes organizacionais e desconectou-se do restante por fios tênues de preconceito e negligência. A partir daí, esta comunidade à parte, desenvolveu-se muitas vezes com suas próprias forças que nasceu da necessidade de construir seu habitat, sua fonte de renda e subsistência, seu bairro, seu lugar.

 

Uma linha que ainda costura, que une, um gesto antiparedes e antifronteiras, sugere um sistema de bordas permeáveis. Uma linha que toca ao nível do chão, sobe suavemente, costura peças, aponta e constrói acentos, entrelaça e conecta. É na linha perdida do trem que costura novamente as duas pontas, o bairro Valinhos e o centro de Passo Fundo, criando um espaço de conexão democrático, ativo, inclusivo e sustentável para aumentar o sentimento de apropriação do espaço público na vida das pessoas.

 

O papel deste projeto está em tirar partido do ambiente em que a comunidade vive e levá-lo ao patamar da humanidade e da coerência, dando uma vida que seja digna e respeite os direitos humanos, para que estas pessoas consigam prosperar e não somente existir ou resistir, mas sim estarem inseridas de forma digna na cidade Passo Fundo, RECOSTURANDO este microclima com a região total, reintegrando uma parte esquecida da cidade para dentro da convivência. Dessa forma, o trilho deixa de ter um papel limitante e segregador e torna-se uma potencialidade de costura entre os dois extremos. Essa condição única e qualificada possui enormes benefícios ambientais e sociais, desde questões de qualidade de vida até aquelas referentes a questões educacionais e capacitação da comunidade.

 

     Este pensamento de (re)costura e reintegração gera diretrizes de readequação e legalização das residências, para tanto a desapropriação e demolição das residências internas à zona operacional e o realojamento destas pessoas em unidades habitacionais familiares para 600 famílias, reagrupadas e inseridas em zonas de vazios urbanos e a inserção desta área degradada para a natureza através de um parque linear verde que terá como objetivo a conexão do bairro com o sustentável, gerando qualidade de vida imediata e comoção local para sua sustentação.

 

TIPOLOGIA ARQUITETÔNICA

    Desagregar para unir, propomos uma estrutura de componentes multiplicados a partir de um módulo de 1,25 x 1,25 m, baseado em um módulo espacial de cada indivíduo, em que os elementos que compõem o todo encontram-se repetidos. Os componentes isolados, quando se associam, geram movimento e com ele, energias transformadoras que a partir de uma linha de estrutura de concreto pré-fabricada nos permite criar uma montagem eficiente, sustentável e otimizada.

 

No sistema físico, o projeto amplia suas estratégias e sua vida útil com a aplicação de painéis solares, um novo sistema de tratamento de águas, busca por iluminação e ventilação natural, tratamento de águas negras por zona de raízes e hortas urbanas para tornar o novo desenvolvimento do bairro de maneira eficiente.

 

    Com a montagem das novas peças para unir-se e recosturar na micro, meso e macro escala, o projeto forma unidades autônomas familiares que em conjunto recria o novo bairro Valinhos, com uma nova característica natural e gerando um novo ciclo em que o projeto visa assim reafirmar a ideia de que “densidade e natureza” são complementares e indissociáveis na busca por melhor qualidade de vida dentro das cidades em que vivemos.

“PUXADINHO”

    A partir de um pequeno módulo do indivíduo de 1,25 x 1,25 m, a proporção multiplica-se e expande para todo o bairro, tomando a macro escala. Com a utilização de uma malha, cada família pode crescer dentro de sua estrutura, investindo socialmente e valorizar a sua moradia cada vez mais com uma construção espontânea, a fim de evitar a deterioração do entorno urbano com o tempo, e por outro, fazer o processo de ampliação o mais fácil possível, superando a pobreza.

Studio Zenital Arquitetos

e: Rua. Uruguai, 421 - Passo Fundo

Ed. Albert Einstein Center, 603

t: +55 54 9138-2124 / h: 8:30 às 18:00

contato@studiozenital.com

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