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CONCURSO UBS GURUJI

Concurso para unidade básica de saúde em Gurugi

“Uma arquitetura que respira, vive a realidade posta em movimento! ”

O CONCEITO

 

      A arquitetura revela a ordem do corpo humano na busca pela complexidade do movimento de respiração. A forte relação entre corpo humano e arquitetura, que há na inspiração de tornar elementar o projeto, na figura da proporção e na escala humana, enfatiza o pensamento atual em que a arquitetura não é apenas forma, mas sobretudo conteúdo, essência, sentido, história e conceito.

            A arquitetura é história viva, orgânica e fluida, é um organismo, um corpo que reage ao espaço construído e a maneira que este pode curar seus usuários através da intervenção vivida. Todo esse entendimento é traduzido em elemento físico através de um invólucro externo permeável, que usufrui de uma estrutura de brises, que buscam traduzir a ideia de que o edifício é um mecanismo pulsante e extremamente dinâmico.

 

         A proposta cria-se e se organiza a partir de blocos retangulares, intermediados por um pátio interno.  Esse pátio é elemento de dinamização espacial quando une e se apoia sobre uma estratégia projetual de direcionar os ventos predominantes para dentro da edificação, retirando o calor interno. Ele assume sua função conceitual quando institui a humanização desse espaço com a conexão externa investindo sobre a interna, permitindo que, enquanto aguardam atendimento, as pessoas possam sentir-se parte de uma biologia maior, que influencia de forma inata a sua própria biologia – a natureza de sua própria natureza.

HUMANIZAÇÃO HOSPITALAR

 

    Cria-se uma relação interna, um pátio humanizado que induz a uma atmosfera tranquila e redesenha os ambientes físicos hospitalares com uma intencionalidade humanística, valorizando aspectos intangíveis na busca pela cura do corpo e da alma. Concebe-se então, um espaço sombreado com paisagismo, mobiliário e intensas correntes de ar direcionadas com elementos posicionados em locais estratégicos. E por fim, a luz natural invade os ambientes internos pelas grandes aberturas.

 

   O bloco menor, abriga o setor de atendimento e recepção, que incorporam as salas de espera, um espaço multiuso para reuniões e atividades educativas e educacionais destinados à comunidade. Seu acesso é direto para as esperas com um espaço amplo e integrado, protegido pelos brises que controlam o processo de ventilação e iluminação natural da orientação de maior incidência dentro da edificação.

 

     É no bloco maior que se encontram-se dois setores de atendimento clínico e apoio técnico, ladeados por um circulação. O bloco de atendimento clínico atende aos consultórios, a sala de observação e o setor de odontologia contraponto ao setor de apoio técnico e funcionários, conferindo um espaço claro e funcional minimizando os conflitos entre os setores e criando uma ambiência serena no pátio interno para o uso dos povos e comunidades tradicionais.

UM LUGAR ACESSÍVEL

 

     O acesso da comunidade à UBS se faz pela face de maior extensão, com acessos independentes e priorizados para mobilidade motorizada, estacionamento exclusivo para a ambulância e acesso exclusivo para funcionários. A proposta busca conectar as pessoas e a UBS à pátios abertos e a uma área de hortas colaborativas, que serve de experiência sensorial e apoio a comunidade com ligação para a sala educativa para unir os usos da terra a uma arquitetura que apropria-se da cultura com sensibilidade, adaptabilidade e criatividade natural do terreno.

 

SUSTENTABILIDADE

 

     A aparência simples do projeto abriga um coerente sistema de proteção ambiental. Em um local que registra altas temperaturas durante agosto a fevereiro, adota-se a cor branca em toda a UBS repelindo em 80% do calor solar, juntamente com uma cobertura elevada e os brises que refletem os raios do sol. No período de final de fevereiro a meados de agosto são os meses de precipitação de chuvas, assim a edificação apresenta um sistema de captação da água da chuva através de uma calha central que liga toda a cobertura da UBS direcionando as águas para as cisternas implantadas abaixo do solo que serão destinadas para irrigação do paisagismo e da horta colaborativa.

 

    Toda a sua permeabilidade e fluidez mantém o edifício ventilado e iluminado à sombra utilizando grandes aberturas, cobogós, brises e uma cobertura elevada, gerando um controle de temperatura com uma refrigeração evaporativa passiva, dispensando o condicionamento de ar artificial. Os ventos predominantes entram na edificação e retiram todo o calor que a edificação recebe durante o dia usufruindo da ventilação cruzada em todos os ambientes.

MATERIALIDADE E SISTEMA CONSTRUTIVO

 

     Economicidade e materiais locais visam a construção racional da Unidade Básica de Saúde. Em seus fechamentos externos e internos adota-se o tijolo e cobogós cerâmicos fabricados localmente. O seu esqueleto estrutural é formado por pilares e lajes em concreto armado moldados “in loco”, projetando um edifício que visa à economicidade, modularidade, material e cultura conectados para formar um edifício que pertence ao seu local inserido.

 

     A cobertura da UBS é toda em estrutura metálica com telha termo-acústica e elevada da edificação para criar uma camada de ar, minimizando os impactos do calor. Todas as esquadrias dos ambientes possuem dois tipos de aberturas para controlar a ventilação higiênica e de conforto. Em toda a sua fachada de maior incidência de calor, é protegida por brises de madeira local. Esse é o sistema que materializa o conceito do respirar. Quando o paciente assume o controle dos mecanismos é como se ele fosse parte do edifício, ambos interagem de maneira intima. Um é parte do outro e ambos estão vivos.

 

     Adotou-se o adobe para a criação dos blocos, como forma de resgatar as tradições daquele povo, que muito se apropriavam desta técnica para a execução de suas moradias. Desta forma, levamos parte desta história e a atualizamos, unindo o passado com o futuro.

     Para isso, o empenho da população se faz necessária, como forma simbólica de resgate desta memória, em um processo artesanal e humano, capaz de pôr este povo como protagonista de mais uma conquista local.

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planta baixa
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planta de cobertura
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planta baixa
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FICHA TÉCNICA

USO Institucional

LOCALIZAÇÃO Guruji, PB

ÁREA TERRENO: 603,79 m²

ÁREA CONSTRUÍDA 236 m²

ANO DO PROJETO 2019

EQUIPE Dionatan Grando, Lucas Destri, Roger Trevisan, Sônia Souza e Janaína Piazza

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